Artigos » 13/09/2017

A fé em tempos de superficialidade

Ao convidar seus discípulos para o seguimento, Jesus lhes disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lc 9,23-24). A fé cristã, compreendida como discipulado missionário de Jesus Cristo, concebe a vida com grandes ideais pelos quais vale a pena total doação. Porém, o modo corrente de viver não prima por esta profundidade e totalidade, mas apresenta-se marcado pela superficialidade.

As modernas tecnologias possibilitam que tenhamos muitas informações, mas pouco aprofundamento. Lê-se pouco, prefere-se imagens. No máximo, alguns pequenos textos. Tudo já vem pronto. É só procurar. Vale o útil e imediato. Temos dificuldade de viver a espera das etapas da vida. Uma característica desta superficialidade é o bombardeio de solicitações de consumo a que somos submetidos todos os dias. A lógica do consumo desenfreado deixa a pessoa eternamente insatisfeita, sempre à procura de novidades. Na ilusão de querer ter tudo o que deseja, não consegue dar a devida importância a cada coisa, a cada momento. Os tentáculos deste modo de viver superficial atinge também a fé. No nível religioso se manifesta na busca e consumo simultâneo de muitas expressões de fé, sem peso na consciência, colocando-as todas juntas e não se firmando em nenhuma delas. Também no catolicismo, basta alguém anunciar uma novidade, uma cura, um show, um lugar em que se proclamam milagres, para que haja uma grande concentração de pessoas. Com certeza, nem todas são expressões da fé cristã.

A vida cristã, porém, se constrói num caminho, na continuidade, nos processos, no empenho cotidiano para ser fiel e fazer o bem, na repetição das mesmas verdades fundamentais do Evangelho. Ela toca o profundo da pessoa humana, envolvida e acolhida por um amor incondicional de Deus, manifestado no Filho Jesus Cristo.Diante da certeza do Deus vivo, o cristão faz uma entrega de si, como resposta de gratidão a Deus que manifesta sua bondade. Nunca pode ser um comércio, uma troca de favores.Vai além da própria razão, para buscar identificar o nível dos “sentimentos”, como nos pede S. Paulo: “Tende em vós os mesmo sentimentos que havia em Cristo Jesus” (Fl 2,5).Também extrapola o nível pessoal, pois somente se realiza nas relações interpessoais, que se configuram a partir do encontro com Jesus Cristo. É comunitária e move a ir ao encontro para construir fraternidade.

Assim, como nos diz nosso Papa Francisco: “Os jovens têm o desejo de uma vida grande; o encontro com Cristo, o deixar-se conquistar e guiar pelo seu amor alarga o horizonte da existência, dá-lhe uma esperança firme que não desilude. A fé não é um refúgio para gente sem coragem, mas a dilatação da vida: faz descobrir uma grande chamada — a vocação ao amor — e assegura que este amor é fiável, que vale a pena entregar-se a ele, porque o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus, que é mais forte do que toda a nossa fragilidade” (LumenFidei, n. 53).

Com certeza, a fé cristã é “um caminho para superar a ansiedade doentia que nos torna superficiais, agressivos e consumistas desenfreados” (Laudato Si, n. 226). O olhar da fé nos faz viver com serenidade, dando atenção a cada pessoa, coisa eatividade. Cada momento é um dom divino, que deve ser vivido intensamente. Aceitemos o convite de Jesus: “olhai as aves do céu” […] “olhai os lírios do campo” (Mt 6, 26.28).

Por Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta (RS)

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